Quando se aproximou e viu a cidade, Jesus chorou sobre ela e disse: Se você compreendesse neste dia, sim, você também, o que traz a paz! Mas agora isso está oculto aos seus olhos. Virão dias em que os seus inimigos construirão trincheiras contra você, a rodearão e a cercarão de todos os lados. Também a lançarão por terra, você e os seus filhos. Não deixarão pedra sobre pedra, porque você não reconheceu a oportunidade que Deus lhe concedeu. [Lc 19:41-44 - NVI]
Por vezes, deparamo-nos com determinadas situações que exigem
uma decisão drástica. Desafortunadamente, nem sempre optamos pela opção correta
ou ideal. Nesse caso, escolhemos aquela que parecia a mais fácil, ou então a
mais adequada naquele momento, ou ainda a que pudemos classificar como a mais
“politicamente correta”. Em suma, muitas de nossas escolhas partem do princípio
da conveniência, nem sempre a nossa própria, mas a dos outros, a do local em
que estamos, a do momento.
Todos sabemos a sensação ao nos darmos conta de que a escolha
foi errada. Os sentimentos podem ser os mais diversos: culpa, arrependimento,
precipitação, repulsa… No meio desse turbilhão de sentimentos, é comum
desejarmos voltar atrás, voltar no tempo, começar tudo de novo. Mas, na maioria
das vezes, isso não é possível. Só nos resta suportar as consequências.
A
chance da minha vida!
E você, já se deparou com uma oportunidade que identificou como
a chance da sua vida? Pois é, no texto que inicia esta mensagem, Jesus está
entrando na cidade de Jerusalém. Ao comtemplar seus muros e seus prédios, o
Senhor chora. Chora porque sabe o que acontecerá ali; chora porque sabe o que
os principais sacerdotes estão prestes a fazer; chora porque sabe qual será a
atitude do povo, no momento crucial (termo bem apropriado), quando será
apresentado pelo procurador romano; chora porque sabe o que acontecerá àqueles
muros, àqueles prédios, ao templo. Ao chorar, Jesus lança uma palavra que,
aparentemente, se o povo ouviu, não compreendeu: “virão dias em que teus
inimigos te cercarão de trincheiras (…) e te arrasarão e aos teus filhos dentro
de ti; não deixarão em ti pedra sobre pedra”. Isso tudo aconteceria porque
Jerusalém não aproveitou a chance da sua vida: “porque não reconheceste a
oportunidade da tua visitação”.
É sabido que as palavras de Jesus, nesse trecho, são na verdade
uma profecia do que aconteceria cerca de 40 anos depois. No ano 70 A.D., como
desfecho da chamada Grande Revolta Judaica, a cidade de Jerusalém foi tomada e
destruída pelos romanos, sob as ordens do imperador Vespasiano e de seu
comandante Tito.
Quantos de nós não ficamos a um passo de alcançar o que tanto
almejamos – mas, no momento decisivo, optamos pelo caminho errado? E o que
dizer quando somos privados por alguém de chegar ao alvo?
Aproveitai
as oportunidades
Isso nos faz lembrar o aleijado que jazia a borda do tanque de
Betesda – do hebraico Bethesda = “Beth” (casa) + “Hesed” (graça, misericórdia), ou seja, “casa da graça” ou “casa da
misericórdia”. Segundo o relato do evangelista João, o homem padecia da
enfermidade havia 38 anos (Jo 5:5). Infelizmente, ele não era o único, pois
havia uma multidão de enfermos, cegos, coxos e paralíticos (Jo 5:3). Por muitos
anos, difundiu-se a crença de que, periodicamente, descia um anjo e agitava as
águas do tanque, ocasião em que, quem estivesse acometido de qualquer
enfermidade e entrasse no tanque, ficaria curado, mas somente o primeiro a
entrar. Alguns acreditam que o nome “casa da misericórdia” tenha sido dado com
um sentido pejorativo, dada a quantidade de indigentes que viviam naquele
lugar, em busca de uma cura que não viria. Outro detalhe importante é que
estamos nos referindo a um tanque, algo bem próximo de uma piscina em nossos
dias, e, portanto, não havia lugar para todos, como era o caso daquele pobre
aleijado. É nesse momento que entra o Senhor Jesus para testar a fé do homem.
Não precisou descer um anjo, porque o próprio Filho do Deus Altíssimo estava
diante dele!
Outro episódio que nos ensina sobre aproveitar a oportunidade
está registrado em Mc 2:1-12. Jesus estava novamente em sua casa, em Cafarnaum.
As pessoas foram até ele para ouvirem a palavra, de modo que, como sendo grande
o número de pessoas, já não havia mais lugar para ninguém (Mc 2:2). Eis que
surgem quatro corajosos amigos, carregando um paralítico, esperançosos de que o
Senhor pudesse curá-lo. Tente imaginar uma multidão cercando a casa do Mestre,
por todos os lados, querendo ouvi-lo ensinar. Quais seriam as chances de aquela
multidão deixar passar os bem-intencionados companheiros, carregando o seu
amigo paralítico? Pouquíssimas (ou até mesmo nulas). Mas, aquele era “o momento”;
talvez aqueles homens não tivessem mais outra oportunidade. Não se intimidaram
com a multidão que os atrapalhava e tiveram a brilhante ideia de abrir um
buraco no telhado para fazer descer o leito do amigo paralítico, fazendo com
que o próprio Mestre ficasse admirado (Mc 2:5).
O apóstolo Paulo falou aos colossenses: “…aproveitai as oportunidades” (Cl 4:5). Muitas oportunidades são
perdidas, ou porque nos achamos incapazes de agarrá-las, ou porque “a multidão”
não nos permite. É nessas horas que é preciso uma porção extra de fé, e um
pouco mais de coragem para descobrir a “abertura no telhado” que estava
faltando para receber a bênção de Deus.
Conclusão
Este é o tempo que o Senhor nos dá para voltarmo-nos para ele, “porque ele diz: Eu te ouvi no tempo da
oportunidade e te socorri no dia da salvação; eis, agora, o tempo sobremodo
oportuno, eis, agora, o dia da salvação” (2 Co 6:2). Não permita que a
multidão impeça você de chegar aos pés do seu Senhor.
Aproveite a oportunidade que o Senhor está lhe concedendo hoje,
porque:
“Tudo quanto te vier
à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu
vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.” (Ec 9:10)
* Mensagem pregada na Igreja de Cristo Missionária - ICM, em 18/08/2013.
Referências:
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* Todas as referências bíblicas citadas
foram retiradas da Bíblia On-Line (www.blibliaonline.net),
versão em Português por João Ferreira de Almeida, Revista e Atualizada (ARA).
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